“Meu carro vale R$ 80 mil. Quanto eu consigo de crédito?”

Essa é uma das perguntas mais naturais de quem começa a pesquisar crédito com garantia de veículo. Só que o valor do carro não vira automaticamente o mesmo valor em crédito, e também não existe um percentual único que funcione para todos os bancos, veículos e clientes.

O montante possível depende da combinação entre o bem, o perfil do solicitante e as regras da instituição.

O valor do veículo é apenas uma parte da análise

Imagine duas pessoas com o mesmo modelo de carro, do mesmo ano e com valor de referência semelhante.

A primeira tem o automóvel quitado, renda compatível com a parcela pretendida e solicita R$ 25 mil.

A segunda ainda deve uma quantia elevada no financiamento atual e solicita R$ 60 mil.

O patrimônio é parecido, mas as operações são diferentes. Por isso, não seria razoável esperar necessariamente o mesmo resultado.

O que costuma entrar na avaliação?

A análise pode considerar fatores como:

  • marca, modelo, versão e ano do veículo;
  • valor e critérios de avaliação adotados pela instituição;
  • situação do veículo;
  • existência de financiamento ou gravame;
  • saldo para quitação, quando houver;
  • valor solicitado;
  • renda e capacidade de pagamento;
  • histórico e política de crédito;
  • prazo pretendido.

Cada instituição pode trabalhar com regras próprias. É por isso que uma estimativa encontrada na internet não deve ser tratada como promessa de aprovação.

A Tabela FIPE define quanto será liberado?

Não.

A Tabela FIPE é uma referência de preços médios e pode ajudar a contextualizar o valor do veículo. Mas a instituição pode usar critérios próprios de avaliação, e o valor da garantia não é o único elemento da decisão.

Um carro com referência de R$ 100 mil não significa “R$ 100 mil disponíveis para empréstimo”.

Explicamos isso em A Tabela FIPE define quanto posso pegar?.

E se o carro ainda estiver financiado?

Nesse caso, o valor necessário para encerrar o financiamento existente pode afetar quanto eventualmente fica disponível para o cliente.

Exemplo ilustrativo:

Um carro possui valor de referência próximo de R$ 90 mil. O proprietário ainda precisa de R$ 15 mil para quitar o financiamento.

Agora compare com outro carro de valor semelhante cujo financiamento ainda exige R$ 70 mil para quitação.

A situação patrimonial não é igual, mesmo que a FIPE dos dois carros seja parecida.

Veja o guia Carro financiado pode ser usado como garantia?.

Peça o valor que você realmente precisa

Outro erro é começar pela pergunta “qual é o máximo que consigo?” antes de decidir para que o dinheiro será usado.

Imagine que você precise de R$ 22 mil para quitar uma dívida mais cara. Se uma instituição estiver disposta a liberar R$ 40 mil, isso não significa que contratar os R$ 40 mil seja automaticamente uma boa decisão.

Crédito a mais também significa dívida a mais.

Uma abordagem mais saudável é:

  1. definir o objetivo;
  2. calcular quanto realmente é necessário;
  3. verificar se existe uma operação compatível;
  4. analisar parcela e custo total;
  5. só então decidir o valor a contratar.

Valor aprovado e valor líquido podem ser diferentes

Isso é especialmente importante quando existe um financiamento anterior para quitar ou custos incorporados à operação.

Se uma proposta fala em R$ 50 mil de crédito e R$ 18 mil precisam ser destinados à quitação de uma dívida vinculada ao veículo, não significa que R$ 50 mil ficarão livres na conta.

Leia Crédito aprovado e valor líquido: qual é a diferença?.

Um exemplo completo

Luciana tem um carro quitado e quer R$ 30 mil para reformar a cozinha e o banheiro. Em vez de perguntar “quanto consigo no máximo?”, ela informa que seu objetivo é receber aproximadamente R$ 30 mil líquidos.

Com isso, consegue avaliar propostas olhando para a necessidade real: quanto entra na conta, quanto sai por mês e qual é o CET.

Se uma proposta oferecer um limite maior, Luciana não precisa contratar tudo só porque está disponível.

Esse raciocínio simples evita transformar capacidade de crédito em justificativa para aumentar uma dívida.

Como saber o valor possível no meu caso?

A forma mais útil é fazer uma pré-análise com os dados reais do cliente e do veículo. Isso permite aplicar as regras das instituições em vez de depender de um percentual genérico.

Tenha em mãos, se possível:

  • placa e dados do carro;
  • situação de quitação ou financiamento;
  • saldo atualizado, quando financiado;
  • valor que você realmente deseja receber;
  • renda e informações necessárias para a análise.

Continue a pesquisa

Na Itscred, você pode fazer uma pré-análise para verificar possibilidades entre instituições parceiras. O resultado depende da análise de crédito e das condições de cada instituição.

Compartilhe este conteúdo.

Fontes e referências

Do entendimento ao próximo passo.

Consulte as condições para seu veículo. Grátis, com atendimento humano e sem compromisso de contratar.

Simular meu crédito Prefiro conversar com a equipe