Você recebe duas propostas de crédito. Uma anuncia juros de 1,8% ao mês e outra de 2% ao mês. Qual é a mais barata?
A primeira parece óbvia, mas ainda falta informação para responder. Juros são uma parte importante do custo, porém uma operação pode incluir tributos, tarifas, seguros e outras despesas. É justamente para reunir esses componentes que existe o Custo Efetivo Total, o CET.
O que o CET mostra?
O CET transforma os fluxos e despesas previstos na operação em uma taxa percentual que ajuda a representar seu custo efetivo. Ele considera a taxa de juros e os demais encargos e despesas que entram no cálculo segundo a regulamentação aplicável.
Na prática, é uma das informações mais úteis para comparar propostas que parecem semelhantes.
Um exemplo simples
Imagine duas propostas para uma pessoa que precisa receber R$ 30 mil líquidos.
Na Proposta A, a taxa de juros anunciada é menor, mas existem custos adicionais relacionados à contratação.
Na Proposta B, a taxa de juros é um pouco maior, mas os demais custos são menores.
Se você olhar somente para a taxa anunciada, A parece vencer imediatamente. Quando todo o fluxo é considerado, porém, o CET pode contar outra história.
O próprio Banco Central usa exemplos desse tipo para mostrar que uma operação com juros menores pode acabar com CET maior quando outros encargos entram na conta.
CET e taxa de juros são a mesma coisa?
Não.
A taxa de juros é um dos componentes da operação. O CET procura representar o conjunto dos custos considerados no crédito.
Por isso, uma comparação mais cuidadosa deveria observar os dois números, além de prazo, valor líquido e total das prestações.
Aprofundamos essa diferença em Taxa de juros e CET são a mesma coisa?.
O que pode entrar no CET?
Dependendo da operação, o cálculo pode incluir:
- juros;
- tarifas;
- tributos;
- seguros vinculados à concessão, quando aplicáveis;
- outras despesas relacionadas à operação que devam compor o cálculo.
Isso não significa que todo crédito terá todos esses itens. Significa que comparar apenas o juro nominal pode deixar custos relevantes de fora.
Parcela menor também não quer dizer crédito mais barato
Imagine duas opções ilustrativas:
| Opção | Parcela | Prazo | Soma das parcelas |
|---|---|---|---|
| A | R$ 1.250 | 36 meses | R$ 45.000 |
| B | R$ 900 | 60 meses | R$ 54.000 |
A opção B pesa menos a cada mês, mas exige pagamentos por muito mais tempo. Esse exemplo não representa uma oferta real e nem substitui o CET, mas mostra por que parcela mensal e custo total são perguntas diferentes.
Às vezes a parcela menor é necessária para manter folga no orçamento. Isso pode ser uma escolha consciente. O problema é acreditar que “menor parcela” automaticamente significa “menor custo”.
Então basta escolher sempre o menor CET?
O CET é uma referência central para comparar custo, mas a decisão pode envolver outros fatores.
Suponha que uma proposta tenha CET menor, mas libere apenas R$ 20 mil líquidos, enquanto você precisa de R$ 30 mil para concluir uma reforma. Outra pode ter CET um pouco maior, porém resolver integralmente a necessidade.
Não são exatamente duas propostas equivalentes.
Antes de escolher, confira pelo menos:
- quanto você realmente recebe;
- valor e quantidade das parcelas;
- CET;
- total dos pagamentos;
- garantias envolvidas;
- regras para quitação antecipada;
- consequências de atraso.
Criamos um comparador de propostas de crédito justamente para organizar esses números lado a lado.
Posso calcular o CET sozinho?
É possível fazer uma estimativa a partir dos fluxos de entrada e saída, mas o cálculo oficial deve usar os valores, datas e despesas efetivas da proposta e ser informado pela instituição nos casos abrangidos pela regulamentação.
Para tornar a lógica mais concreta, criamos uma calculadora educativa de CET.
Nela você informa, por exemplo:
- quanto efetivamente recebeu;
- quanto pagará por mês;
- número de parcelas;
- custos pagos na contratação.
A ferramenta estima a taxa implícita desse fluxo. Ela é útil para aprendizado e conferência, mas não substitui o CET oficial da proposta.
Um exemplo do cotidiano
Carlos precisa de R$ 25 mil. Ele recebe uma proposta com parcela que cabe no orçamento e fica tentado a aceitar imediatamente.
Antes, decide verificar o CET e percebe que há custos que não estavam evidentes quando ele olhou apenas a taxa mensal. Carlos então compara com outra opção, observa o valor líquido que realmente receberia e calcula o total das prestações.
Mesmo que termine escolhendo a primeira proposta, agora a decisão é tomada conhecendo o custo com muito mais clareza.
É essa a utilidade prática do CET: tirar a comparação do anúncio e levar para a operação completa.
Próximos conteúdos
- Taxa de juros e CET são a mesma coisa?
- Como comparar duas propostas de crédito
- Como funciona a quitação antecipada
- Calculadora de CET
Se você está analisando crédito com seu veículo, pode consultar possibilidades com a Itscred, sempre comparando as condições apresentadas antes de decidir.
Fontes e referências
Do entendimento ao próximo passo.
Consulte as condições para seu veículo. Grátis, com atendimento humano e sem compromisso de contratar.
Simular meu crédito Prefiro conversar com a equipe